Em mais uma de nossas aulas, escolhi como texto a ser analisado,esta crônica do escritor Luiz Fernando Veríssimo:
Era uma vez… numa terra muito distante…uma princesa linda, independente e cheia de autoestima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico…
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre…
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?… nem morta!
Após a conversa sobre o texto de Veríssimo, pedi que os alunos observassem a crítica feita nele, e em como a personagem se apropria das conquistas das mulheres do século XXI.
Depois, cada aluno escreveu um texto sobre qualquer assunto que desejasse, relacionado ao tema Direitos Iguais. Muitos associaram aspectos do texto a questões sociais existentes atualmente, como o novo papel de homens e mulheres na sociedade, a busca pela independência feminina e o machismo no casamento, por exemplo.
Selecionei este, abaixo, por reunir várias questões, não apenas da mulher, mas de várias outras classes oprimidas e que têm seus direitos desrespeitados.
Leiam o texto da aluna Luany, do 7º ano, lembrando que, o importante nas rodas de leitura, não é a preocupação didática, mas, sim, a conversa com o texto e sua reescrita a partir desta conversa.
Direitos iguais para todos
”Na minha opinião, todos os direitos devem ser iguais. Muitas pessoas são julgadas por seus ‘defeitos’. Eu acho que o mesmo direito que o homem tem, a mulher também deve ter. Tanto o preto e o branco, o pobre e o rico, os doentes e os normais e as demais diferenças da população também.
O Brasil é um país onde há muitos preconceitos e racismo. Se cada um de nós não julgasse os outros por seus ‘defeitos’, talvez o mundo seria melhor. Não é porque se é pobre, que tem de ser discriminado; nem por ser rico, tem que ser respeitado; nem preto, ser rejeitado, e nem gays e lésbicas serem espancados.
Na minha opinião, somos diferentes, por ‘aparências’, mas, ao mesmo tempo, todos iguais uns aos outros. Os direitos são todos iguais; ninguém é melhor que ninguém. Digo ‘não’ ao racismo e ao preconceito. Direitos iguais para todos!”
Tais opiniões ilustram a importância e a influência da cultura e do contexto social e histórico no qual o aluno está inserido, e como tal influência se evidencia quando são expostos a leitura e interpretação de textos que levantam questões vivenciadas ou conhecidas por eles.
Gostei muito desta atividade. E vocês?
llustração de Kikingartists








